Mostrando postagens com marcador IANÊ MELLO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador IANÊ MELLO. Mostrar todas as postagens

A Grande Nuvem

Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m

Breu
Não há breu
só o som do vento,
eco oscilante nas nuvens,
talvez quem sabe
leve o teu sopro,
expurgue as lamúrias
e desça ao nível do mar
com as tuas cores.
_____________________________________________

Cores da Paisagem
Variados matizes tingem o céu de luz
Amarelo-alaranjado é o sol que por entre as nuvens se esconde
e, por vezes, se revela
No céu de cor azul escuro
permeado de branca nuvem
A grande nuvem que se manifesta
e tenta em vão recobrir esse belo colorido
Paisagem de rara beleza
onde as cores versejam
em versos de profunda harmonia
A vida assim se revela
numa mistura de cores e escuridão
Onde nós, seres humanos, buscamos nosso espaço ideal
Entre cores, luzes e matizes
Na escuridão do negro céu
Na branca Lua que desponta
em belas noites de luar
e no brilho incandescente das estrelas
No amarelo-alaranjado do Sol
Quando chega a alvorada.

Acaso

1.15m x 0,86m
Detalhe

Reencarnação
O acaso chegou para mim
como num encontro marcado
Casualidade contraditória
Destino já traçado
Vidas entrelaçadas
Almas que se reeencontram
e nem sempre se reconhecem
Quantos nessa Terra já fomos?
Em quantos corpos nossa alma habitou?
Fizemos o bem e o mal
Da pobreza e da riqueza provamos
No amor e na traição nos encontramos
Estendemos a mão aos necessitados
e por eles fomos acolhidos
Ignoramos o próximo ao nosso lado
e por ele um dia fomos ignorados
Habitamos corpos diversos
Homem e mulher já fomos
Corpos perfeitos e defeituosos
Feios e belos
Em cada vida um propósito
Em cada encarnação um recomeço
Oportunidade de retratar erros passados
De aperfeiçoamento, de resgate
Esse corpo que hoje habitamos
Nossa casa, nossa casca, nosso invólucro
Abrigo de nossa alma eterna
até o dia final, derradeiro
em que ela dele se desprenderá
e se libertará
dessa vida terrena
Se voltará ou não em outro corpo
a nós não cabe julgar.

Abstração


Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m




Quem sabe a policromia não atinja
A clorofílica paixão de jade?
Nada é tudo o que se finja
E que tinja de cor a verdade.
A verdade do jade não é fato
Nem as cores concretas, o abstrato.
____________________________________________
.
A b s t r a ç ã o
.
A distração que tomou conta de minha mente
E do coração também.
IOANES NULLIUS
____________________________________________

O poder que a abstração exerce
em nossa mente inquieta
Logo se quer tornar concreto
o que abstrato está
A razão nos faz querer a tudo decifrar
Mas que graça pode haver
se a graça está no mistério,
nas interpretações diversas,
na imaginação a correr a solta
Existe coisa mais abstrata
do que nossa concreta vida?
Ianê Mello
____________________________________________


Eu sou um anjo
Um gárgula
O dragão encolhido
Minha angústia prevê
Autofagias
Eu abocanho meu pescoço
Encurralado que estou
Pelo escudo do seu desejo
Que me ataca em jatos multicoloridos
Eu finjo medos
Eu nem tenho olhos
E eu morro ansiando
Que ele pinte de carnaval
A minha verde pele.

A Côr do Elefante de Day


Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m


Uma mão
Uma gota de mel
Um elefante incrivelmente lilás
E nada mais.


_______________________________________________



Essa mão estendida

Doce mão que dá guarida

Dela escorre mel

Doce mão que afaga

Doce mão que apaga

da mente a mágoa

Que sente a textura da pele

Seja ela macia ou áspera

Mão que acaricia suavemente

com sutileza de movimentos

com intensidade no tocar

e ao mesmo tempo com leveza

Mão que sente na ponta dos dedos

a pele que toca com doçura

Seja homem ou animal

Pequeno ou grande

Feio ou bonito

Bom ou mau

Por ela tocado

sente-se abençoado,

nutre-se de amor...

e adormece mansamente.

A Pérola da Poesia

Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m


Pensei distâncias e desencontros
Transitei pelo vazio
A procura do abraço
Sou resumo de um momento
Que me revira por dentro
.
Li o silêncio
E não entendi nada
Não quero cansar antes da estrada
Nem penso que vai ser fácil
.
Quero a mão estendida
E um fio de emoção que me ligue à vida.

Detalhe


Queres a presença
o detalhe do toque
a sugestão do vento
a roçar a secura
da pele fria
.

encontraste uma parte
do vazio que ensandece
.

onde fica a razão quando
na ardência imaterial
perde-se do desejo
a dimensão?
___________________________________________

O quanto a mente pode imaginar
diante de visão tão surreal
Quantos caminhos a percorrer
no vale da criação
Em suas cores tão vivas
Nas imagens que se sobrepõem
compondo uma estória inimaginável
Esta a beleza da poesia
descobrir a pérola na ostra
e trazê-la à luz dos nossos olhos
Criar a partir de algo abstrato
um significado para quem o lê
.

A mulher que alça vôo
lançando-se na escuridão
Um casal a queimar de paixão
no enlace de seus corpos
A sombra e a luz,
os contrário expostos
O Yin e o Yang,
masculino e feminino,
complementando-se num mesmo universo
O TAO em sua manifestação
Universo em expansão
uma explosão de matizes
Numa mistura de sensações
A morte e a vida
numa só pulsação

Voar, Voar, Voar


Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m


Num refazer constante do olhar
Trafego por horizonte infinitamente belo
No colorido semblante do mar
Encimado por céu de encanto singelo
Já me perco outra vez sem o saber
Sem o sabor que me atraía outrora
Infeliz por não conseguir-me conter
Sintonizo a áurea que se dá agora
Então me encontro embebido em cores
Num vôo silente, nas "partículas do sentido"
Enquadrando minhas emoções
Na profundeza da paisagem singular
__________________________________
Quanta paz nessa planagem
nesse voar infinito
Pode-se ouvir o suave som
do bater de asas
.
Não há pressa de chegada
Apenas o prazer do vôo
Liberdade de sentidos
Céu de puro colorido
.
O vento é suave brisa
que facilita o vôo
Vôa, doce pássaro
Alcança o infinito de seu sonho.
__________________________________

Em pleno som soa
Límpido
Canto
.
Suave divino voa
Ave plaina
Num azul céu
Ave voa
.
Abraça o vento
Nas asas abertas
De penas cobertas
.
Poder ver de cima
Atingir o som soa
.
Suave voa.

Dialeto da Sedução

Pintura: Sr. do Vale
4,00m x 3,00m
O Canto da Sereia
Com os olhos a contemplar
a imensidão desse vasto mar,
essa mulher de pele alva,
inocente de seus encantos,
tal qual uma sereia
a despertar com seu canto
o marinheiro do mar
.
Nas águas doce delícia
como uma carícia morna
que do corpo aquieta o fogo
que queima como lavas
de um vulcão em erupção
.
E essa mulher sentada e nua
em plácida displicência muda
nem se apercebe do furor
que atormenta o coração
desse solitário homem,
que ao fitá-la se perde
em desejos e fantasias
.
E seu corpo, em plena euforia,
aguarda o anoitecer de mais um dia
...é um tempo sem tempo
...depois mais a frente da tela
adoro que as imagens como que dançam em minha mente
não deixam mais de fazer parte de minha lembrança.
Reflexo d Alma
_______________________________________


Das cordilheiras perdidas
Além da linha do horizonte
Até o encontro da serra com o mar
Resquícios de rochas magmáticas
Inflamando o calor de corpos sedentos
Cores perdidas no tempo
Almas fecundas em chama
O repouso dos corpos
A semente da sedução
No reflexo da paisagem
Traduzidos na maestria do momento
Traços concretos da imaginação
No desfiladeiro de cores vivas...
faustodevil
_______________________________________

O sol desceu e poisou no topo do penedo ao lado da rocha onde se deitava a sereia, roubando o lugar a alguém que se senta conformado por não poder lutar com gigantes. O sol, de olhar de tão perto para a sereia, ficou cego.
lenor
_______________________________________

Lembrar das cartas de Pessoa, especificamente as ridículas...
Pensar na sedução que caiu no desduso.
Sentir a atração que causa,
frios e calafrios, que tem odores e sabores.
Palavras sem sons
Destrói, reconstrói
Corpos distantes
Almas juntas

Exausta
Debruçou-se
Contemplando a linha
Onde céu e mar se fundem.
.
No mesmo plano
Ela estava
Sem horizonte
Vista embaçada:
Ou era o azul de cima
Ou era o azul de baixo.
.
Era ela num momento
De satélite
Refletindo toda a luz
Daquele dia
Em que o astro da manhã
Observava-a.
.
Pouco se viu dela
Pois esparramada
Tipo mole, argilosa
Ela se fundiu
À rocha.

A Eternidade de Um Instante



Pintura: Sr. do Vale
3,00m x 2,00m

Por um instante
todo o tempo
de um ano passa
em minha mente.
Meu lado quieto
luta contra o louco
anjos e demônios
defendem em cada
canto o seu comando.
E no que eu mando
sobra breve vácuo
no qual eu penso
ao rever mais de 300 dias de atos e fatos
qual é o meu espaço
nesta tela de nostalgia,
de lembranças do passado?
Detalhe






Detalhe



Quantas histórias e pensamentos vêm à tona diante desta pintura, retrato de uma loucura que iniciou na juventude de nossa turma...

viagens, festas, arte e amizade:
-vejo os casais no descobrimento do amor,
-vejo os bois e o respeito pela natureza,
-vejo a viola, o violeiro e sua canção,
-vejo o mistério, a dor e emoção,
-me vejo na cachoeira, do outro lado o Guela e você escondido de pedra.
Finalmente vejo o passado que vivemos pintado em harmonia com as beleza das cores roubadas das flores, frutas e o clarão do dia.
Noslen ed azuos
______________________________________________

Num átimo desse instante
Sou levado pela eternidade da luz
Na loucura que perpasso
Levado pela (in)definição dos traços
.
Não são as cores que emolduram meus sentidos
E sim, as formas que elas conduzem
O sangue escorre e desnuda minh'alma
Nas sombras que a definem
______________________________________________
Alma Furtacor
.
Do vale das emoções ele veio
Intensos sentimentos que afloram
de um eu lírico e profundo
Homem da mais pura emoção
Acerta o alvo bem no meio
de um coração desavisado
transmutando em flor o botão
Propagando a beleza no mundo
pinta o belo com suas mãos
e numa aquarela de cores reluzentes
espelha sua alma furtacor
Alma de intenso brilho que seduz
Como um farol a iluminar
transformando a escuridão em luz
e a vida no mais lindo despertar.
Ianê Mello
______________________________________________

Amo esse tempo em que todas as palavras já foram ditas e apenas nos bastar usufluir vivendo. São tempos de brisa leve, de ar novo, de alma se refazendo para seguir em jornada. Amo sobre tudo viver esse tempo porque tudo que foi ja é, e o que há de vir ainda vai ser.
______________________________________________

Eu acho que a imagem dessa mulher cega pelo coágulo de sangue gigante que lhe tapa os olhos e se alimenta dos rasgos que faz no seu peito, essa mulher que deixa a seus pés, para trás de si, um emaranhado de vaginas a contorcerem-se, essa mulher que brada fúrias agarrando-se ciosamente à maçã do pecado negando o prazer ao resto do mundo, essa mulher é uma das suas obras primas, Sr. do Vale.

A Escuta

Pintura: Sr. do Vale
1,15m x 0,86m

Vejo formas onde formas não tem
Vejo sentimentos com a cor que me convêm.
Vejo um rosto que vê bem mais longe do que eu.
Vejo partículas do que sou.
_________________________________________


Vou destoar um pouco à beleza de que comenta;
espero que a poesia seja tão bela quanto ao conjunto....
Estava morrendo de sede.
E com dó meu barco naufragó.
Virei estatua linda de vê.
E minha alma’sede’peixe libertó.
_________________________________________

Quando a escuridão se faz luz
.
Abaixo da superfície,
onde o real se esconde,
onde os segredos se revelam
Mente quieta e contemplativa
Ouvidos atentos ao inaudível
.
Corpo aberto às sensações
que emanam de dentro
da alma, que se desnuda
quando a boca emudece
.
Os sons do silêncio se manifestam
em cores e matizes mágicos
Faz-se poesia no ar
em partículas de luz brilhante
.
Num profundo azul celeste
harpejam suaves acordes,
numa melodia de sonhos
Mente quieta, postura ereta
em profunda meditação
.
Coração desacelerado,
tranquilo, cadenciadoao som da música da alma,
do mantra universal
que une todos os seres
numa só e única pulsação,
numa explosão de vida.