Outros Planos


Pintura: Sr. do Vale

2,50m x 1,50m




Lentamente o velho desliza por sobre as sombras

Vai a passo comedido e incerto

Arrasta pesadamente as vestes

Vai encurvado pelo peso das escolhas

Pelas palavras há tanto tempo não ditas

De azulados pensamentos

E obscuras idéias.

.

Leva à mão uma lua nova

Vã tentativa de trazer luz

A seus neurônios frios.

Espera algum movimento que valha

Alguma sensação que o liberte.

.

Chega de manso

Mas não evita o asco

O espanto esquálido e branco

Das noturnas criaturas do seu vício.

.

Ele tinha outros planos:

Cruzar o abismo,

Fazer contato,

Tocar a rósea superfície do outro lado.

Mas não se pode evitar o fim contínuo:

A face escura da alma

Cobra a sua parte

E o velho morre todo dia um pouquinho.


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Um sol frio não derrete neves brancas nem águas azuis.

Nem que as tente aquecer com uma manta, não é capaz.

Empírico

Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m






Meu olhos a apreciar

ao lado templante

irá submergir

do semblante subjulgado

só assim eu serei eu

pela tua imponência,

pela tua arte...

tossan

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É tédio ou sonho o que me prende aos lençóis carmim?

É zelo ou medo o que você sente enquanto me vela?

Que pensamentos povoam sua cabeça tinta de rosa?

É amor ou desejo o que tinge seu rosto em febre?

Quem é a egípcia imagem que você pintou de verde

E postou à minha porta?

Você carrega gatos dourados

e eu posso sentir o caos de seus tormentos

aqui do meu leito.

Tanto cuidado e me deito nua

Meu peito rasgado

Partido ao meio

Tanto receio

e assim mesmo

minha vontade escapa

em branco e preto.

Existo além da pele de seda

E essa só eu conheço.

Senhora Loirinha Má

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Prostrado

Preso

Estagnado

Nasceram raizes solidificando teus pés impedindo-o que voo alçace.

Não consegue livra-se da preguiça que se apossou de teu corpo vadio.

Alienou tua mente

Escureceu o desejo

Mergulho de mão

De bico ou de boca

Estátua de bicho

Cabeça que pensa pensar

Víceras secas

Subliminando o meu enxergar.

Selena Sartorelo

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Ela é uma pérola de vestido vermelho e com cara de laranja que a mãe-ostra ali deixou, porque precisa de ir criar mais pérolas-filhas. E deixou a guardá-la, da cobiça do busto, o pássaro verde-água.

lenor

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O empírico

Do meu eu lírico

Jougou-se ao delírio

Telúrico

Afrodisíaco

Idílico lírio

Um martírio sem tal ser...

Salve Jorge

Inverno

Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m

No inverno da minha jornada
é noite
tem lua
e você? Nada.
Congelo
e você nú em pêlo.
Tudo é pedra e vento
e você contra senso.
Meu corpo é um deserto
no frio do seu desalento
Inverno no hemisfério sul, baby,
só você não está vendo.
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Hoje pensei no inverno
Pensei diferente
Hoje!
Senti da saudade.
Senti frio
Percebi o quanto uma cor pode ser fria.
Hoje senti o inverno
e percebi
quantos invernos vivi

Réplica

Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m

Você pode me ver no mesmo reflexo
Eu vejo pelos seus olhos
e falo pelos seus lábios
a pele que cora é a nossa
a sede de gozo é a mesma
Eu me sinto no seu toque
Os arrepios são gêmeos
mas há mais tristeza nesse combinado
que acertos
mais da sensação aprisionada
que prazeres
a réplica é questionável.
Eu tenho saudades
da nossa individualidade
e sonho com os dias de ser eu mesma.

Equus




Pintura: Sr. do Vale

2,50m x 1,50m



Vasto e cansado valseio

uma canção de solitário solteiro coração,

galopa aloprado em fantasias e fantasmas;

custa muito dizer, se custa,

toma minhas flores, dores e amores e me deixe viver amada das cachoeiras,

mas antes do naufrágio faz um café e vamos fumar um cigarro amor.
Noslen ed azuos

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Virgem virtual vagueio

na canção

de saborosa e sorrateira pressão

uso galochas antiquadas

e fantasio com fantasmas

custo muito manter a virtude

toma minha testa

pele, festa

e me deixe saciada a vida inteira

mas antes do prazer

beije meu pé

e vamos renascer do barro

meu amor.


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Amigo

que anda calado

Um pouco afastado

Distância serena

Cavalo de fogo que rasga o breu desse lado do céu.

Alcança fantasmas

Aguardo teu julgamento

o juiz pede ao coro silêncio o réu despreza a culpa

Olhar encantado

Espectro de luz e asas no pé.

É luz azul

De áurea dourada de bichos tão meus.

Anjo que caí no abismo flutua no nada.

Particulas unidas

Corpos dstintos

Tormento da paz.

Silêncio e dor

Beleza, feiura

O sentimento

Medo e amor.

Uma chama

Alegoria

Perfil da alma

Clama!

Dança movimento que indica

detalha a particula de cada sentido.


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Diz a mitologia que assim

Pégaso nasceu

Depois que Medusa

Derrotada por Perseu

Seu sangue verteu

E desse sangue nasceu a beldade

Símbolo da imortalidade

O cavalo alado

Que voa à vontade

Pelo céu da eternidade

Pelo infinito horizonte

E, depois, Belerofonte

Com a ajuda de Atena

O domou de forma plena

E se meteram em tantas aventuras

E até matou a Quimera!

Quem dera que Belerofonte

Tivesse criado juízo

Mas, não!

O herói orgulhoso

Teve fim desastroso

Pois perdeu todo o seu siso

E tentou voar até o Olimpo

O que despertou a ira, o raio e o trovão

E, então, Zeus ofendido

Enviou vespa e ferrão

Fazendo nosso herói, assim,

Cair ao derradeiro chão

Mas Pégaso continuou o seu vôo sem fim

Não parou nunca mais, não

Agora voa, eterno:

Virou constelação.

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Ajoelha-te neste chão dos céus
Deixa que desmonte, cavalo alado
E me apeie na constelação de Pégaso
Como quem pode caminhar sobre estrelas…

Ajoelha-te brevemente e vai-te pelo espaço
Nessa liberdade equestre da vastidão celeste
Deixa que fique entre a espuma branca e fria
Saudade humana vagueando entre a poeira dourada de estrelas…

Inclina-te…pousa-me e segue o teu destino de Equus!

beatriz palma

Perecíveis

Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m

Eu tenho fome de arte
meu corpo vive de éter
eu sonho com carboidratos
minha alma faz berinjelas
desejo orgias gastronômicas
meu físico implora sonetos
anseio poesia e música
minha carne gosta mesmo é de ferro
e vitaminas
glicídeos
lipídeossais minerais
beta-carotenos
porque gozemos
ou não gozemos
no final
seremos adubo.

A Moldura

Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m

Impossível não voltar.
Fiquei com o olhar preso no quadro
Solto! Ele.
Quase insignificante trazia um recado.
Recado quase imperceptível.
Mas tanta coisa acontecia naquele instante
que não podia no quadro reparar.
O mundo se esvaia em luz.
Uma luz que ninguém via
que cruzava a lógica como a espada de Arthur.
Sem direção ela fluia conforme cada movimento
provocando um sentimento.
Intenso.
As vezes era de dor que trazia o sofrimento.
As vezes era amor
trazido na felicidade do momento.
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É arte
Inteligência
Criativa
Aprecia
Mostra
orgulhar
Perpetua...
Espetaculo!
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O vermelho é a moldura
e a medida
é o espaço contido
que pinta a parede
e define o estilo do tiro.
.
A cabeça é ouro
e está tombada
o semblante está vivo
na boca de carmim tingida.
.
A cena toda é fingida.
.
Repare como eu ardo
por sobre a fronte pendida.
.
Repare que linda moldura fizestes
para enfeitar minha morte.

Triste

Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m

É o mantra ouvido na alma, o silêncio visto na transparência do embrião, a eterna solidão gerada pelo sentimento sem razão, um estado encontrado pelo espírito, o momento ausente do presente, o não dito pelo pensamento, a morte pelo esquecimento. Uma condição jamais!
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Sem razão
para o constraste do
pulsar incessante
que adentra as mortas
folhas de um viver.
.
Nada está
tudo é:
passional, permanente,
sozinho, mesmo que
em um tufão.
.
Monocromáticas
as tardes, a noite
é meu caminho. Triste.
Uma vaga sombra
ao luar do meio dia.
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Triste
estar gelado
disfarçado
em tom azulado
ouvindo o rugido magenta
os olhos mortos vidrados
na negra sombra do outro lado
triste estar acovardado
pregado de soslaio
entre o verso
e o fingido gesto
do poeta.
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Sombra e Luz

Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m

Lua de maré
Que atraí como imã
Magnetiza, hipnotiza
Foi caminho prá navegar
Foi tempo de procriar
Lua que o vento leva
Que o meu eixo é teu cuidar
Lua sem ar
Lua muda
Lua sem ondas Lua surda
Nenhum som possa soprar
Lua que ilumina
E com tua luz a vida germina
Lua que reflete vida prá terra espelhada na água
Lua que sonha em ser terra
Lua viva
Lua morta.
Os lados dos lados que a lua tem.
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Quem dera
descalço
sentir a fonte
os seixos
e as marés
quem dera
que meu rosto
fosse espelho
juro
que nessa terra
eu naufragava
pra sentir
o beijo
dessa imensidão
ao meus pés...!
(utopia das palavras)
tossan
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Não gosto do escuro
não gosto.
Não há divisas
não capto os contornos
e eu sou esteta
sofro com as deformidades involuntárias.
.
Estamos no oco
em segundo plano.
Somos coadjuvantes da idéia
focado está o azul rasgado
e eu sou ciumenta
sofro tanto quando não brilho.
.
Habitamos o profundo
estamos protegidos
ficamos escondidos
exposta está a cor esparramada
e eu sou poeta
enxergo a dor mesmo no escuro.
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Sombra e luz
esconde e revela
ora o drama
por vezes a face serena
dialética trama barroca
às vezes lúcida, às vezes louca.

Interior

Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m

Não poderia ser diferente
A sensibilidade da alma
O instinto do animal
Curva-te ao irracional
Uma rebeldia intencional
Nega-te a vida sem nexo
O interior de um vendaval
Que mexe com o tempo
reconhece um sentimento
coisa natural
fora do comum ou
uma condição normal.
Dissimulação proposital.
Desconstruindo o "eu"
que pensa ser real.
Selena Sartorelo
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No interior
Nó inteiro
Noite
Anterior
Primeiro
Amor
Ou açoite
Verdadeiro
Íntimo
No ínfimo
Âmago
legítimo
Derradeiro...
Salve Jorge
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Eu adentro
sem escusas
a sua mente.
Lá dentro
toda sensação é confusa,
mas você mente.
Mente que em seu interior
o caos é confortável.
Só que no íntimo sabemos:
não é nada disso que você sente.
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Trago em mim tanta coisa
que quase não me contenho
às vezes é tanta dor,
imensurável sofrimento.
súbitos desejos de morte
mergulho de volta ao ventre
.
Em mim também pulsa forte
em vários outros momentos
lampejos de felicidade
tão caros, me tocam o peito
me desfaço da fria descrença
pois minh'alma pede alento
.
E dentro de mim ainda insiste
o pacto do anjo e o demônio
O primeiro me leva às nuvens,
o fogo do outro me consome.
Falível sigo destino
ciente de ser humano