Detalhe
DetalheEu acho que ela vai cair no rio,
e vai subir a queda de água,
e vai atravessar as cavernas donde brota a água fria
e vai conhecer outros mundos,
outras luzes, outros reflexos,
esquecer as sombras
e aquecer os ombros:
há-de haver algum abraço à sua espera.
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Viagem final
Viagem final
O grito corta a noite
atravessa a ponte da vida
alcança a faixa da morte
abismo negro sem fim
lançado dessa forma flutuaum
frio corta a face
gosto amargo seca a boca
resseca os lábios que entreabertos
quase tiram o ar é uma viagem a absurdo
lembranças, fatos, imagens,
tudo seco sem emoção
as mãos abertas esbofeteiam o vento
as pernas desconexas soltas parecem não compor o todo
que apenas sente,
ressente
e entende como ainda vida
o grito segue abismo abaixo
sem ter quemo ouça
porque salvar-se não deseja mais...
Nem sóbrio, nem equilibrista
De repente, a enchente vem
e ele pende para o lado onde
poderá se atracar.
A onda toda de tormenta
turva-lhe a fronte.
É quase abismo
mas há vontade de surgir.
A platéia apática assiste
à sua saga demorada
de saber se fica
ou se vai na revoadadas aves que não fazem verão......
.
Outro repente, nem menos nem mais
leva-o a derradeiro transe:
agora ele é fera
buscando incessante
qualquer presa mais frágil.
O corpo se abre à luxúria
- a mente reclusa
-não há razão
há instinto, há faro.
Nesse momento
antes que a corda bamba
decline para o outro lado
ele se prepara para o ataque
até chegar a hora
em que se transmute de novo
num equilibrista de araque.
