Desenho, palavra e vidaDesenhe minha palavra e use as cores da moda, use um toque indigitado e uma pergunta indiscreta.
Use trajes típicos e não demonstre arrependimento. Desenhe o que ouvir e o que acreditar ter ouvido; a diferença, embora abismal, não causará danos assim tão irreparáveis.
Passeie dentro de uma paisagem em silêncio e note que o traço perfeito buscará linhas em perspectiva, e que a fuga revelará um sorriso antes adormecido no turvo empobrecimento da escolha. Perceba quase nítido alguns homens que se levantam e caminham nus sobre um chão de explosões.
Desenhe minha palavra no escuro e deixe o tom se acostumar à presença das serpentes, estas minhas companhias de todas as horas. Verás que as formas se oferecerão mais fartas e que seus modos, mais sensuais então, permitirão o toque.
Desenho, palavra e vida, não necessariamente nesta ordem, pactuam sem a famigerada proteção divina; preferem assim que é mais um improviso do que um arranjo pronto, mais um sabor que uma expectativa incorpórea.
Texto: Sérgio Luyz (http://www.atramabacana.blogspot.com/)
Desenho: Sr. do Vale