Repouso


Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m

Correm em direção a esquerda
Neste tormento não enxergo nada
Outra curva para a esquerda
E tudo muda de cor
Observo à esquerda uma nova curva
As cores mudam mais uma vezes
Desfoca-se
Tudo muda
Eu queria ter um certo tempo
Parado
Mais duas curvas a esquerda
As cores já não são as mesmas
Sei agora o que é um tornado
Onde está o meu barquinho?
___________________________________

a outra metade
não é a metade de mim
se perdeu entre cores
desconstrução retilínea
de formas e irrisíveis amores
a outra metade jaz
___________________________________

O entardecer chega à porta retinal.
As cenas do lugar são obras de arte vivas, para quem goza interiormente de uma câmera fotográfica.
.
...a tela causa um impacto profundo. As cores, os movimentos e os passos, banham-me e me faz entrar nos aposentos à busca pelo quebra do ponto final.
Como minha face à tarde se deparou assolada por caimento e choro contido.
Apenas, o que percorreu, pois meu falar invalidado, então, à mente: - Acredito, tu acreditas?
Priscila Cáliga
___________________________________

Deixa-se no instigante, linha entre o real e o imaginário, o grito nos tons elevados, até não ter forças, e a pele arder no prender até a última frase cantante em pincéis digitais. Ultrapassar o escuro num toque na estrela. As falas ouvidas, como adagas no que se acaba de alcançar. Num poema escrito sobre a pele, o conhecer das mãos movimentais em cores que molham a leitura. A voz acorda poemas ao ouvido à nudez do verbo. O olhar faminto despe, e causa estado febril pela vestimenta de carícias. Uma boca quente no molhar os lábios e escreve à pele nua. Calar, mudar a cor, e escorrer lento na alma, por ruborizar sentidos. E lava no olhar os segredos em partilhas, o desabotoar das palavras.
Priscila Cáliga
___________________________________

Quanta harmonia em cena
em cores em distâncias,
quantas mãos se unindo
nesse quadro veloz
em vozes-poemas.
___________________________________

A boca do vento
Engole tudo
De sonho à tempestade
De ilusão à claridade
De amor à crueldade
Depois, de barriga cheia
Repousa por vontade
E arrota saudade
___________________________________

14 comentários:

Desbururu disse...

Correm em direção a esquerda
Neste tormento não enxergo nada
Outra curva para a esquerda
E tudo muda de cor
Observo à esquerda uma nova curva
As cores mudam mais uma vezes
Desfoca-se
Tudo muda
Eu queria ter um certo tempo
Parado
Mais duas curvas a esquerda
As cores já não são as mesmas
Sei agora o que é um tornado
Onde está o meu barquinho?

Patrícia Gonçalves disse...

a outra metade
não é a metade de mim
se perdeu entre cores
desconstrução retilínea
de formas e irrisíveis amores
a outra metade jaz

Raquel de Carvalho disse...

Adorei tudoooo!
Imagem ideal para os textos!!!
Belíssimos!

Bjos

Juan Moravagine Carneiro disse...

A estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria

William Blake

abraço meu caro

Canteiro Pessoal disse...

O entardecer chega à porta retinal. As cenas do lugar são obras de arte vivas, para quem goza interiormente de uma câmera fotográfica.

Sr do Vale,

a tela causa um impacto profundo. As cores, os movimentos e os passos, banham-me e me faz entrar nos aposentos à busca pelo quebra do ponto final.

Como minha face à tarde se deparou assolada por caimento e choro contido. Apenas, o que percorreu, pois meu falar invalidado, então, à mente:

- Acredito, tu acreditas?

Abraços.

Priscila Cáliga

tonhOliveira disse...



Repousas sempre.

coloRIU meu sorriso!

:)

Valéria Sorohan disse...

Suas escolhas são perfeitas. Sua arte é um vício.. não há como
fugir. Aí, aí não teve jeito! fui fisgada. Fui me afundando aqui, querendo sempre cada vez mais, mais do mesmo, mais do mais. Viciei, não tem jeito. melhor me conformar!

BeijooO'

Sérgio Luyz Rocha disse...

E então, velho amigo? Tudo bom?
tenho um textopublicado no meu blog que também se chama "repouso"...vai aí um trechinho:
"É quando as cores se dissipam em repouso de longínquas imensidões que fecho os olhos de uma dor que parte para trazer-me teu corpo que imagino calorento, feito e desfeito no barro de uma criação descabida pervertida concessão de estacas cravadas na vermelhidão das feridas e na volúpia de teus sussurros insensatos".

...mas creia, as cores do seu "repouso" são mais intensas...

Abração!

Lara Amaral disse...

Os textos estão ótimos, e a pintura: perfeita para o olhos.

Beijo!

Canteiro Pessoal disse...

Deixa-se no instigante, linha entre o real e o imaginário, o grito nos tons elevados, até não ter forças, e a pele arder no prender até a última frase cantante em pincéis digitais. Ultrapassar o escuro num toque na estrela. As falas ouvidas, como adagas no que se acaba de alcançar. Num poema escrito sobre a pele, o conhecer das mãos movimentais em cores que molham a leitura. A voz acorda poemas ao ouvido à nudez do verbo. O olhar faminto despe, e causa estado febril pela vestimenta de carícias. Uma boca quente no molhar os lábios e escreve à pele nua. Calar, mudar a cor, e escorrer lento na alma, por ruborizar sentidos. E lava no olhar os segredos em partilhas, o desabotoar das palavras.

Priscila Cáliga

dade amorim disse...

Quanta harmonia em cena
em cores em distâncias,
quantas mãos se unindo
nesse quadro veloz
em vozes-poemas.

Valéria Sorohan disse...

Temos escolhas a fazer e optar pelos caminhos!

BeijooO*

Wania disse...

Sr do Vale


A boca do vento
Engole tudo
De sonho à tempestade
De ilusão à claridade
De amor à crueldade
Depois, de barriga cheia
Repousa por vontade
E arrota saudade


Liiiiinda criação, inspira...
Bjs

Brasil Desnudo disse...

Espetacular o seu trabalho!

Meus parabéns

Blog muitíssimo apresentavél

Marci RJ