Colina


Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m



- Podes me dizer por favor, qual é o caminho para não sair daqui?
Simplesmente, 'te ver não preciso: olho a lua, a luz é tua, é teu sorriso!'
.
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.


Detalhe
.

.

[...]

.

.

No sorriso de uma mãe que dá a luz. O despertar pela voz dos pássaros para a música, e se produz obras vivas. E não se ter receio de enfrentar o risco da autodescoberta, mas compondo, transpirando e aspirar em fragrâncias cheias de frescor e prazer. O que há dentro do coração,guardado pra polvilhar na colina maravilhas, segredos infindáveisas horas que o tempo tem pra conceder até morrer frases com pontos finais. O abrir e fechar da porta, o seguir pelas ondas do ventrear nas águas profundas. Pela corrente, imersar-se nas partituras, deixando os sentidos fuirem, 'de querer a não querer se chega, e de esperar quando não se espera, passar no coração do frio ao fogo.'


----

Na branca flor que no jardim floresce, o vento, enfim, no escutante dos gemidos. A respiração, como música marcando os ritmos, o trilho das velas acesas. O nome nobre, eleva-se e eleva a retina enlaçando como fitas que decoram os lábios. Os dedos escorrendo pelas ancas inflamadas pelo fogo da profundidade, riscando a pele em suaves traços. Entre letras entoando o espaço, que se faz silêncio e encontro, e se fica os abraços que soluçam na folhagem. A porta do recanto no bater forte, para o espanto dos monstros insistentes ao deredor, mas sabidos que há um leão, o amável de alma no aconchego da chave. Com língua macia, iluminando o olhar, que no sol vem despertar. No entanto, o ar é bravo, penetrante e ardiloso em ciúmes. A profundidade dos passos, como um sorrir de aurora bailante no quarto de escuta. O orvalho salpicante nas pétalas, que no outro lado da janela, pinta de cor o jardim numa manhã fria. A música jorrante que das mãos tocam as paredes em tela despida. E faz os lábios, silenciarem, para se ouvir. Voz que precisa ser voz, para que o borrão vermelho seja vomitado no preto, desacreditado. Da fragrância, o exalar da ternura à pele que desliza, e se constroi com a dança em versos sobre a tela branca. Na densidade do vazio, o soprar da brisa de ventos e em toques na conquista e o tomar, como obra de um mestre intraduzível, no dizer: - Venha, fique segura esta noite recostada em braços ?




___________________________________________



Subo as escadas que surgem no meio do mar branco, que está a nos oferecer os únicos momentos de paz e conforto, nesse devaneio de choques, culturas e contraculturas.

Na paz branca de meu desatino e do poder de percepção, estou também sem fôlego, curvado em meu próprio eixo, sem poder olhar para tráz, sem poder observar os outros, eis que poucos estão "desse lado" do que estou imaginando e visitando em meus mínimos momentos de razão.

Assim como a paz vai embora, surge após ela, o carmim, a pujança, a desordem, o caos ......... maravilhoso caos, com suas curvas delineantes e cabelos sobrepostos, inundando minha mente com desejos libidinosos e voluptuosos, eis que na boca da caverna, a tentação espreita com olhar perdido e de desdém ......... mas me iludo e desejo que ela também me deseje.

Fujo dessa emboscada, ainda pensando e tinindo entre dentes, pois hoje é dia dos namorados, e aquela nuvem se firma como algo muito presencial, muito forte para se conter todos os pensamentos.

Me lanço na marolada ondulação das águas que se formaram, negras como o caos que deixei, mas geladas a ponto de não mais entender aquilo que pensei, e tentar agora sobreviver a esse ponto onde me encontro, onde nada se vê mas tudo se percebe, se sente, e tento nadar.

Meu esforço nada físico resulta em sucesso, pois consigo chegar ao "outro lado" do universo, e tento visualizá-lo para lembrar de como ele é, pois ainda estou com o corpo frio da água empedrada e fria que deixei para tráz e nada posso dizer desse agora outro lado, pois me sinto só.

Cheguei neste instante, e para ser sincero ainda nem me apercebi de como são as cores por aqui.

Peço licença para ver se encontro um caminho e deixo a pergunta!!! Você já encontrou a sua trilha???



___________________________________________




Da constelação de Canis Majores

corregam as cores

que na Lua se mistura a emoção

e da Terra a imaginação

Valediana.

18 comentários:

Priscila Lima disse...

LINDO, muito lindo mesmo!

Canteiro Pessoal disse...

- Podes me dizer por favor, qual é o caminho para não sair daqui? Simplesmente, 'te ver não preciso:
olho a lua, a luz é tua, é teu sorriso!'

[...]

No sorriso de uma mãe que dá a luz. O despertar pela voz dos pássaros para a música, e se produz obras vivas. E não se ter receio de enfrentar o risco da autodescoberta, mas compondo, transpirando e aspirar em fragrâncias cheias de frescor e prazer. O que há dentro do coração,
guardado pra polvilhar na colina maravilhas, segredos infindáveis
as horas que o tempo tem pra conceder até morrer frases com pontos finais. O abrir e fechar da porta, o seguir pelas ondas do ventrear nas águas profundas. Pela corrente, imersar-se nas partituras, deixando os sentidos fuirem, 'de querer a não querer se chega, e de esperar quando não se espera, passar no coração do frio ao fogo.'

Abraços.

Priscila Cáliga

Raquel de Carvalho disse...

Adorei issooo!!!!!
Belíssimooo!!
Beijosssss

Canteiro Pessoal disse...

Sr do Vale, sua pintura me inspirou para construção de um novo escrito. Obrigada!

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Na branca flor que no jardim floresce, o vento, enfim, no escutante dos gemidos. A respiração, como música marcando os ritmos, o trilho das velas acesas. O nome nobre, eleva-se e eleva a retina enlaçando como fitas que decoram os lábios. Os dedos escorrendo pelas ancas inflamadas pelo fogo da profundidade, riscando a pele em suaves traços. Entre letras entoando o espaço, que se faz silêncio e encontro, e se fica os abraços que soluçam na folhagem. A porta do recanto no bater forte, para o espanto dos monstros insistentes ao deredor, mas sabidos que há um leão, o amável de alma no aconchego da chave. Com língua macia, iluminando o olhar, que no sol vem despertar. No entanto, o ar é bravo, penetrante e ardiloso em ciúmes. A profundidade dos passos, como um sorrir de aurora bailante no quarto de escuta. O orvalho salpicante nas pétalas, que no outro lado da janela, pinta de cor o jardim numa manhã fria. A música jorrante que das mãos tocam as paredes em tela despida. E faz os lábios, silenciarem, para se ouvir. Voz que precisa ser voz, para que o borrão vermelho seja vomitado no preto, desacreditado. Da fragrância, o exalar da ternura à pele que desliza, e se constroi com a dança em versos sobre a tela branca. Na densidade do vazio, o soprar da brisa de ventos e em toques na conquista e o tomar, como obra de um mestre intraduzível, no dizer: - Venha, fique segura esta noite recostada em braços ?

Abraços.

Priscila Cáliga

Lara Amaral disse...

Que pintura! Fiquei boquiaberta olhando. Linda, linda! Quantos elementos, construções, cores, num encaixe muito bonito e profundo. Sim, sou fã, Sr. do Vale! =)

E os textos da Priscila combinam muito bem pelo surrealismo e delicadeza.

Beijos.

Desbururu disse...

Subo as escadas que surgem no meio do mar branco, que está a nos oferecer os únicos momentos de paz e conforto, nesse devaneio de choques, culturas e contraculturas.

Na paz branca de meu desatino e do poder de percepção, estou também sem fôlego, curvado em meu próprio eixo, sem poder olhar para tráz, sem poder observar os outros, eis que poucos estão "desse lado" do que estou imaginando e visitando em meus mínimos momentos de razão.

Assim como a paz vai embora, surge após ela, o carmim, a pujança, a desordem, o caos ......... maravilhoso caos, com suas curvas delineantes e cabelos sobrepostos, inundando minha mente com desejos libidinosos e voluptuosos, eis que na boca da caverna, a tentação espreita com olhar perdido e de desdém ......... mas me iludo e desejo que ela também me deseje.

Fujo dessa emboscada, ainda pensando e tinindo entre dentes, pois hoje é dia dos namorados, e aquela nuvem se firma como algo muito presencial, muito forte para se conter todos os pensamentos.

Me lanço na marolada ondulação das águas que se formaram, negras como o caos que deixei, mas geladas a ponto de não mais entender aquilo que pensei, e tentar agora sobreviver a esse ponto onde me encontro, onde nada se vê mas tudo se percebe, se sente, e tento nadar.

Meu esforço nada físico resulta em sucesso, pois consigo chegar ao "outro lado" do universo, e tento visualizá-lo para lembrar de como ele é, pois ainda estou com o corpo frio da água empedrada e fria que deixei para tráz e nada posso dizer desse agora outro lado, pois me sinto só.

Cheguei neste instante, e para ser sincero ainda nem me apercebi de como são as cores por aqui.

Peço licença para ver se encontro um caminho e deixo a pergunta!!! Você já encontrou a sua trilha???

Congratulations Sir Yorranes Of Valey.

Noslen ed azuos disse...

Da constelação de Canis Major
escorregam as cores
que na Lua se mistura a emoção
e da Terra a imaginação
Valediana.

ns

Fred Matos disse...

São belíssimos os seus trabalhos, Sr. do Vale.
Grande abraço

Valéria Sorohan disse...

Muito legal, a imagem é de um encanto só, parabéns pela sua arte!
Ahh...as escolhas dos textos ficou um arraso.


BeijooO'

Juan Moravagine Carneiro disse...

Através das cores você consegue representar os prazeres que vêm no nosso cérebro...

abraço

Danny disse...

Encantador!!!!!!!!

Juliana Carla disse...

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Boa noite Sr. do vale!

Por toda sua ternura no BRAILLE DA ALMA, lhe ofereço cinco opções de mimo. É só escolher e trazer para o seu cantinho. Se preferir pegar todos... Bom, fique a vontade! Você merece pela beleza do seu trabalho!

Eles estão no canto direito da página ou neste link:
http://brailledalmamimos.blogspot.com/

Mimos em questão:

*** "Prêmio Dardos" (dobradinha)
*** "Prêmio Blog original"
*** "Selo Meme"
*** "Melhores Blogs Culturais do Brasil"

Bjuxxx e xerooo querido amigo.

Juliana Carla
brailledalma.blogspot.com

********************************************

Canteiro Pessoal disse...

Sr do Vale, mais uma exuberância de pintura, que formas suculentas e traçados, e jorrar de cores em nobreza e cativar, um penetrar intenso.

o dizer
a lua olha
tua é a luz,
apenas leve e momentânea
se sentirá nua.
por favor,
o caminho para não sair ?
simplesmente,
é teu sorriso
impressão de letras
na luz da alvorada.

Abraços.

Priscila Cáliga

Valéria Sorohan disse...

Muito delicada e ao mesmo tempo vibrante, a sua arte. É tudo tão lindo. E se a intenção é tocar alguém, funciona demais comigo.
Respondendo ao seu cometário: Sou de todas as cores, ou melhor, sou um arco-iris perdido...rs

BeijooO'

Desbururu disse...

Sobre o Detalhe

Tema: DUALIDADE.


Frente a frente com o perigo
Com a Tentação
Ele observa o olhar angelical
O puro cobre refletido nas madeixas
Ele sabe que nada pode fazer
Tocar impossível
Olhar uma proibição
Entre ele e a visão um altar
Que rubro esconde a cor da face
Escurecido pelo rajar do cobre
Como de lado observa
Coloca seus braços para tráz
Numa posição submissa
Eloquentemente passiva
A auréola aparece
Como corte franciscano
Demonstrando o ardor
Pavimentando a obediência
Sobre e em suas costas
Onde menos se espera
A escuridão paira
Observa
Seu manto é lazulis
Seu ombro é identificável
Mas o poder é claro
E a dualidade se apresenta
Clara e escura
Como toda a dualidade deve ser
E a visão abre a mente
No maior e melhor dos delírios.

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Belo detalhe Sr. Iorranes Nullius Bolldus

Lily disse...

"... Voz que precisa ser voz, para que o borrão vermelho seja vomitado no preto, desacreditado."
Palavras bem escolhidas! Achei lindo! Uma voz viva que se abre para fazer viver aquele sem luz. Muito belo! Suzana Guimarães

Lai Paiva disse...

Encantador.= )

Liza Leal disse...

Ah! Sr. do colorido fatal!
Transcendental...

=)
bzitos