Guardião dos Sonhos

Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m

Detalhe


O sr. sonhador guarda tudo para si. Vela os sonhos antes de dormir, e ao acordar, põe-nos na gaveta, a muitas chaves. Medo de perder o segundo inconsciente, que é tão valioso, tão eterno no momento em que se dorme.

O guardião preferiria só sonhar, e que alguém o guardasse: sua memória, seu rosto, em algum sonho de um sonhador como ele; que o acalentasse e o fizesse dormir em paz, sem medo de se perder (n)os sonhos.



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Ao redor ruídos serenos, cheiro de árvores e surpresas no caminhar. O jardim em saboreio no instante, cobrir-se com sonhos infindáveis. De onde vem e vai, vai e vem, ondas a pincelar o suave demais, grande mais. Movimento leve e íntimo a sobressalto. Já não inquieto, olhante em torno, afinal os ramos balançam. Nas árvores as frutas, doces como mel. A entrega por profundidade, e a morte do supérfluo.

Numa noite com estrelas no céu, de lá somente o calor invadir pulsação. Passos lentos para admiração. Na voz, o muso aproximar, amplexar e perguntar: Onde tu estavas amor? Nos delírios sempre pensando em ti. Aguardava-a.

O passeio pelo jardim como prometido, pela noite, sob a chuva, segurar as mãos e dizer ao pé do ouvido sussurros: adorar adormecer em braços, o desejo. Como crianças à procura do abrigo, frágeis, buscando segurança e força. Por os dedos nos lábios, para o calar, e sentir o sopro. Deitar sobre a relva, versejar o constante e intenso, livres como pássaros voando no céu azul.


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Oh! Guardião,
Permita-me galgar os sonhos de tal intensidade
Onde há luzes em cores flamejantes
Em instantes de eternidades nunca antes alcançadas.

Faz-se da porta do inconsciente
O adentrar pleno no sentimento profundo
Sem que o coração se despedace ao acordar
E um brilho no olhar
Transgrida as regras da insensatez.

IOANES NULLIUS

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Eu o conheci a tarde, estava escurecendo, a temperatura era amena.

Ví em certo momento que ele me demonstrava o exato local em que eu estava, pendente, carente de respostas e inclemente de interrogações.

Eu estava alí, sim, somente por um braço, pendurado no ar, sob os pés o precipício, abaixo uma nesga de algo cor azul, pode ser o rio, pode ser o sereno, o ser o sem censo, creio que vou ficar jogado ao relento.

Enquanto houver forças, ficarei alí, até me descobrirem, aí sim me entregarei ao sono dos eternos sonhadores.

Por favor me encontrem.

DESBURURÚ

15 comentários:

Patrícia Gonçalves disse...

Recuso-me a sonhar, tenho medo dos labirintos e cômodos escuros, tenho medo das profundezas da mente onde tudo é escuro e cinza, onde o azul é somente a beira do abismo.

Daniel disse...

Hermoso blog...hermosas pinturas

Lara Amaral disse...

O sr. sonhador guarda tudo para si. Vela os sonhos antes de dormir, e ao acordar, põe-nos na gaveta, a muitas chaves. Medo de perder o segundo inconsciente, que é tão valioso, tão eterno no momento em que se dorme.
O guardião preferiria só sonhar, e que alguém o guardasse: sua memória, seu rosto, em algum sonho de um sonhador como ele; que o acalentasse e o fizesse dormir em paz, sem medo de se perder (n)os sonhos.

nina rizzi disse...

suas pinturas digitais são bem peculiares, senhor. gosto dessa originalidade beirando o surreal.

um beijo.

Canteiro Pessoal disse...

Antes de me pronunciar ao dono do blog, preciso imensamente falar à Lara.

Mulher, sua leitura precisa de certa forma me impacta, em choque. Cada nota que cantaste no comentário encaixa tão perfeitamente à pintura, no dono dos dedos apaixonantes. Do ponto de encontro, uma explosão me assola e em delícia capto a vida que se descobre, pulsa e o vento misterioso atravessa os portões, as gavetas.

Vale, tesouro precioso, não resisti e aqui estou, mas logo em saída.

Ao redor ruídos serenos, cheiro de árvores e surpresas no caminhar. O jardim em saboreio no instante, cobrir-se com sonhos infindáveis. De onde vem e vai, vai e vem, ondas a pincelar o suave demais, grande mais. Movimento leve e íntimo a sobressalto. Já não inquieto, olhante em torno, afinal os ramos balançam. Nas árvores as frutas, doces como mel. A entrega por profundidade, e a morte do supérfluo.

Numa noite com estrelas no céu, de lá somente o calor invadir pulsação. Passos lentos para admiração. Na voz, o muso aproximar, amplexar e perguntar: Onde tu estavas amor? Nos delírios sempre pensando em ti. Aguardava-a.

O passeio pelo jardim como prometido, pela noite, sob a chuva, segurar as mãos e dizer ao pé do ouvido sussurros: adorar adormecer em braços, o desejo. Como crianças à procura do abrigo, frágeis, buscando segurança e força. Por os dedos nos lábios, para o calar, e sentir o sopro. Deitar sobre a relva, versejar o constante e intenso, livres como pássaros voando no céu azul.

Ps.: Maravilhoso!

Abraços!

Priscila Cáliga

Oliver Pickwick disse...

E aí, velho? Continua um mestre na arte de transformar os sons da essência do rock progressivo em telas deslumbrantes.
Um abraço!

Lara Amaral disse...

Se quem fala é a moça do Canteiro que passeia pelas flores sem amassar ou machucar nenhuma e, ainda mais, nos alumbra de perfume com um texto lindo desses, eu acredito, rs.

Obrigada, Priscila, carinhosa vc.

Beijo.

Juan Moravagine Carneiro disse...

Desachochar de veias e fios...de tintas e fontes...

Sempre me perco por aqui!

abraço

tonhOliveira disse...



SR "dali" do VALE!

Daqui, dali e dalém de lá!

Sonho solto!
EU-tonho sonho a dor que acabará... um dia!

Abraços!

Lou Vilela disse...

Parabéns pela singularidade de seu trabalho!

Abraços,
Lou Vilela

Fouad Talal disse...

Sr. do Vale,

acho que você já deve ter assistido, mas se não, não pode deixar de ver Amor além da Vida com o Robin Willians.

Absolutamente tudo aqui me remete ao filme.

Um abraço!
FT

Desbúruru disse...

Eu o conheci a tarde, estava escurecendo, a temperatura era amena.

Ví em certo momento que ele me demonstrava o exato local em que eu estava, pendente, carente de respostas e inclemente de interrogações.

Eu estava alí, sim, somente por um braço, pendurado no ar, sob os pés o precipício, abaixo uma nesga de algo cor azul, pode ser o rio, pode ser o sereno, o ser o sem censo, creio que vou ficar jogado ao relento.

Enquanto houver forças, ficarei alí, até me descobrirem, aí sim me entregarei ao sono dos eternos sonhadores.

Por favor me encontrem.

dade amorim disse...

Impossível fugir da aventura de sonhar
que é a própria vida quando passa
com seu manto de cor e sombra
imprevisível.

Impossível escolher
o pássaro que cantará mais alto.

Antonio Nahud Júnior disse...

www.cinzasdiamantes.blogspot.com

O meu blog é uma revista digital mensal em busca de um panorama do pensamento artístico. Convido-a para conhecê-lo.

Grato. Um abraço,
ANTONIO NAHUD JÚNIOR

Desbururu disse...

Sir Yohannnes Of Valey

Entre muitas coisas que já fiquei lisongeado na vida, me senti novamente assim ao vc colocar no detalhe exatamente o momento que descrevi anteriormente.

Grato pela singularidade e homenagem do ato e pela oportunidade de ampliar minha visão de seus surreais delírios.

Progresso e Sorte.