O Mundo Imaginário de Ioanes Nullius


Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m
A sanidade não tem vez nesse mundo

O Pensamento
E a reflêxão
A calma e a lisergia do boi,
um símbolo ou uma chave do inconsciente.

A prece

O fogo da paixão, na ardência viva de sua memória
A Lua, bailarina branca dos andarilhos solitários

O sumidouro
As plantas
O vulto não revelado

O mundo de Ionaes
Repleto de formas indefinidas

Incompleto
Incompreensível
s.v.
________________________________________________

Não jogues as cartas fora
nem queime neste fogo baixo da tristeza
há quem ainda perceba o órgão rubro
que de lata, dilata, e vibra
ao ver a cena
da noite que vai embora
sem se despedir.
Deixe alguns versos inteiros
nem que pela metade, irão servir
no futuro porvir de um sorriso
deixe-os tentar florir
reflorestar o órgão latente
antes que demente ele se vá
para o fogaréu das poesias
que não sobreviveram por lá.
sra. dos 4 As

17 comentários:

Lara Amaral disse...

Não jogues as cartas fora
nem queime neste fogo baixo da tristeza
há quem ainda perceba o órgão rubro
que de lata, dilata, e vibra
ao ver a cena
da noite que vai embora
sem se despedir.
Deixe alguns versos inteiros
nem que pela metade, irão servir
no futuro porvir de um sorriso
deixe-os tentar florir
reflorestar o órgão latente
antes que demente ele se vá
para o fogaréu das poesias
que não sobreviveram por lá.

Rafael disse...

Nossa, as pinturas são bem legais!
Gostei bastante...
abraço

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Pluralidade de sentidos; sentimentos... belíssismo!

Por vezes, nem sempre nos toca e nos encanta os escritos sob o olhar do agora... guardá-los para posterior reflexão sempre faz bem... muita coisa do que de melhor julgo ter escrito foi assim... deixo de lado, rejeito... dias/meses/anos depois pego e me deparo com algo que então me parece belo ou me faz mais sentido do que quando foi 'parido'...

Juliana Carla disse...

Olá Sr. do Vale

Estou vindo do blog da Lara para conferir o poema e sua pintura.

Poema: tudo que se desfaz na tristeza nem sempre sai da memória. Queime, rasgue, jogue fora... Mas, como fazer o mesmo nas lembranças?

Pintura: sou apreciadora da arte contemporânea. Sua manifestação visual é cheia de mistérios, envolve o real no “delírio” do abstrato. Simplesmente me encantei com sua arte!

No meu cantinho (Braille da alma), às vezes abro espaço para trabalhos que acho interessante. Você me daria permissão para publicar a sua pintura? Garanto que será com os devidos créditos.

Bjuxxx e xerooo

Hercília Fernandes disse...

Belo diálogo onírico entre pintura e palavras.

Parabéns aos dois artistas pela fortuna imagística do post.

Abraços,
H.F.

angela disse...

Bonito. Escrever para não enlouquecer nem esquecer.
beijos

Mai disse...

Muito, muito bom!
O real imaginário.
Parabéns a ambos.

Marcos Satoru Kawanami disse...

SONETO RUMINANTE

Serei feliz na vida bem mesquinha,
pacata, assim medíocre, sem rompantes;
não sou desses excêntricos, mas antes
sou caipira que escreve na cozinha.

Opa!, que escreve, não; só que escrevinha
sob a luz de uma vela claudicante
a rima também sem brilho e pedante
que um guri sobrepuja ou adivinha.

O bardo chora a vida que não foi
e pôde ser. Comove realmente;
contudo, eu, rumino feito um boi

esta vidinha que improvavelmente
deveria ter sido, mas é, pois
rumino lindos sonhos... sem ser gente.

Marcos Satoru Kawanami

Adriana Godoy disse...

Parabéns aos dois. Um diálogo de primeira. bj

A.S. disse...

Belo!!!

As palavras traduzem as formas e o universo de cores deslumbrantes numa visão onirica e fascinante!


Um abraço...
AL

Mirse Maria disse...

Belíssimo, Lara, Sra dos 4 AS!

Já sou admiradora da obra mgnífica do SR do Vale, através de você.
Não connhecia o poeta, que consegue dialogar divinamente com você.

"O órgão rubro que
de lata
dilata e vibra"

Essa é a expressão poética que marca esse poema imortal!

Parabéns!

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!

Ao Sr do Vale, minha admiração!

Beijos

Mirse

Anônimo disse...

No meu mundo imaginário
não há cores, nem luz, tão pouco paisagens...
Há muita lagrima que corre.
corre , mas não leva a tristreza
que se instalou em minh'alma.
há sim pânico, que a solidão
e a amargura preencha todo espaço
Não sou poeta, sou comum, mas ainda sim sinto tudo muito com muita intensidade. intensidade que eu temo virar loucura.
E descubro a cada dia que este meu mundo, nada tem de imaginario.

Sa

Dilberto L. Rosa disse...

Muito boa esta parceria: sua arte pictórica casou-se perfeitamente com os versos apresentados, especialmnte com a sinestesia de rimas intercaladas desta jovem que escreve tão bem e cujo trabalho já passo a admirar: Lara Amaral! Abraços a todos e parabéns pela simbiose!

lenor disse...

Um boi frio como a neve feito para criar, uma após outra, uma lua nova.

Ianê Mello disse...

Lindo, Larinha...

Grande beijo.

Assis Freitas disse...

coisa boa, versos (e que versos) e pintura amalgamados. abraço

caverna disse...

Adorei a pintura e a poesia. A Larinha (minha namorada) me indicou o blog e só posso dizer que o conjunto: imagem + palavras leva a gente para uma situação poética intensa!

Suas pinturas são muito legais, geram milhares de interpretações e com isso a arte se alimenta, visto que as idéias surgem do quadro e entram na nossa cabeça sem pedir licença!

Muito bom.

Um abraço!