Sertanias Onde Mora O Boi Azul

O Boi Azul não tem dono ou marcas queimadas a ferro,
vive livre.
Foi parido no pasto e com o passar do tempo,

se embrenhou na vastidão do sertão.


Dizem que o Boi Azul é doido,

seu berro é tão forte que mesmo léguas e léguas de distância, podem ser ouvidos.

Ele só foi visto de perto,
por poucos sertanejos,
tremulo nas luzes das pequenas fogueiras,
ao som da viola,
e é só por isso que foi visto,
por causa do som da viola,
a viola que canta a história do sertão.

Por ser grande e forte,
dizem que sobe a montanha e lambe a lua,
e é por isso que em certa época do mês a lua se afina.

Tem gente que acredita,
tem gente que não,
mas na verdade, ninguém sabe ao certo,
se existe ou se é ilusão.

Um dia o Boi Azul vai morrer,
na certa num canto isolado qualquer,
sem que ninguém saiba,
sem que ninguém veja.

Pode ser que não morre não,

como dizem os primitivos,

ele vira estrela

e vai morar na imensidão.

Texto e Pintura: Sr. do Vale

13 comentários:

renata disse...

Olá meu amigo, que bom receber sua visita no letra e fel... Belissimo post, tens sensibilidade plástica e literária, adorei o texto! Sabes, parei de comer carne por amor aos animais, já são 7 meses,fui a uma médica endocrinologista e me informei, esse negócio de "vai faltar proteina" é conversa, encontramos todas as proteinas necessárias em verduras como couve, brócolis, etc... o vegetarianismo Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida em 2007.

Quanto a pedra da cebola é de dar dó,infelizmente são atidutes que se reproduzem em outros espaços públicos e em todo o Brasil.
abraços fraternos
Renata

MARTHA THORMAN VON MADERS disse...

...e vai morar na imensidão.. adorei.Preciso colocar no desenho o endereço do teu blog.Pode me mandar ? Sempre entro direto .beijos, um abraço

Imagens de Barbacena disse...

Muito bom seu blog.

Um tipo de arte que não tinha visto ainda.

Abraços

Marcello L. a.k.a. Maddy Lee disse...

Mr Valleyman!
Esse é o verdadeiro 'Blues Boi' rsrs Bucólico e melancólico, uma boa rima.
E o fim de semana no mato, foi tranks o suficiente para anda se regalar com uns progs?
Tem mais coisa boa lá no Pântano.
Abração.
ML

Ana disse...

Segui o link dos comentários da Martha e vim ter aqui.
Atravessando o Atlântico...

Gostei de verdade deste blog.
E em particular, do boi azul.

Com a sua permissão, vou linká-lo.

Abraço

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Texto e imagens maravilhosos. Amigo, estou melhor, engordei um quilo, agora são 38! Postei sobre um filme, mas qual vc tem de vir aqui:
wwwrenatacordeiro.blogspot.com
não há ponto depois de www
Um beijo,
Renata
PS: Aquela alusão da Martha era a mim? Pois ela diz que é bom receber um presente quando não se pede e eu lhe pedi que me desse um presente. Rompemos relações e ela, mesmo sabendo que provavelmente não escapo dessa, continua a me provocar. Por que não me deixa em paz?

pensamentos & poesias disse...

Um boi azul...me lembrei da minha infância tinha algo mágico na vaca voadora,no gato de botas...mas a invisibilidade nos torna imortais e imortais habitam a imensidão!!!
Gostei!!!

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

São lindos! Tanto o poema como o boi!
Onde vc encontra tanta inspiração? Sou da teoria de que cada pessoa nasce com um dom, só precisa desenvolvê-lo. A maioria não o desenvolve, pois nem sabe que o tem. Já pensou se todo mundo soubesse? O mundo ia ser muito melhor!
Um beijo,
Renata Cordeiro

Sobre Pele disse...

O boi azul num morre não
ele mora no coração
e na lembrança de
quem o cultiva,
na alegria de
contar estórias
em manter viva
sua memória
e esse azul
de tão azul
encobre da
propria lua
toda a glória..

:)

Lara Amaral disse...

Que linda tela, gostei muito. O poema também é bem bonito!

Beijos.

Raquel de Carvalho disse...

Belíssimo!!!!

Beijosssss

betomelodia disse...

olá...

cenas surpreendentes, repletas de imaginação, sensibilidade...
um blog, como sempre, magnífico...
e parabéns pelos 3 anos...

beijos em seu coração...

Canteiro Pessoal disse...

Sr do Vale, belíssima tela e escrito.

A vaca no leito com pele branquinha tem dono em pincel, pois as diversas pinturas atraem, e as marcas queimadas a ferro, o grito com faísca que não se apagou. A liberdade, mesmo que, embrenhada na vastidão do sertão, repousa na aparência gerada dos diálogos, que levados ao topo do cume, fazendo com que as metáforas percam a rota, com o sentir tão à flor da pele e a respiração em partículas tão sentidas. Dizem que a vaca é lunática, misteriosa e entrelinhada de forma incalculável, seu berro é tão forte no silêncio, que mesmo léguas e léguas de distância, podem ser ouvidas pelos tons da terra ressequida. As madeixas de perto nula visão, e sertanejo trêmulo nas luzes das pequenas fogueiras, com sua viola cantante em múltiplas cores, intervenções que recheiam a história do sertão intimal. A pele, por ditas fases, revela-se forte, vomita no atrás das palavras, quão fraca e ardente no incomum, o que faz vulnerável em extremo. Os órgãos com partituras no pouso sobre a boca que ama em delírios, subir a montanha e lamber em delícias a lua que se espelha na lagoa, a se refrescar e o mês de maio fazem com as cordas estejam em perfeita afinação.

Abraços tesouro.

Priscila Cáliga